PSO2: New Genesis mostra que a Sega está realmente de volta

Phantasy Star Online 2: New Genesis é o mais novo jogo da franquia de MMOs. (Imagem de divulgação)

Na última conferência da Microsoft sobre o futuro da marca Xbox, tivemos o anúncio bombástico do próximo jogo da série Phantasy Star Online que será lançado globalmente em 2021. Contudo, além de comentar esse anúncio incrível, gostaria de discorrer sobre os planos da Sega para essa nova década e, porque provavelmente esse é só o começo de mais anúncios excitantes que virão.

Se você tem pelo menos 25 e gosta de video games, deve conhecer a Sega, suas saudosas franquias e suas antigas plataformas, mas também deve estar por dentro da reputação negativa que a companhia adquiriu depois que abandonou o ramo de fabricação de consoles em meados do começo da década de 2000 e também sobre a imagem negativa em torno do Sonic que já comentei em posts passados.



A Sega é uma das empresas mais importantes da história dos video games, responsável por inúmeros clássicos dos arcades, uma das pioneiras no desenvolvimento de jogos tridimensionais e até mesmo da jogatina online em consoles. Entretanto, todo esse talento e criatividade vinha acompanho de problemas administrativos e decisões questionáveis que resultaram em sucessivos fracassos comerciais, como os periféricos para Mega Drive, o Sega Saturn e o Dreamcast, seus últimos consoles.

Ao contrário do que muita gente acredita, a Sega atualmente é uma empresa muito maior do que na época que se aventurava nesse setor. De acordo com o portal The Daily Records, no ano passado ela esteve em quarto lugar no top 10 das empresas mais ricas do ramo de video games, atrás apenas da Sony, Microsoft e Nintendo, respectivamente, e estando na frente de gigantes como Ubisoft e Square Enix. Todavia, toda essa riqueza não se reflete em valor quando analisamos o interesse do público pela marca aqui no ocidente. No senso comum, a crença é que a Sega faliu, que ela não é mais capaz de entregar jogos de qualidade e vive como uma sombra do passado.

O motivo é que nas últimas décadas, a Sega se fechou muito dentro da sua terra natal, o Japão. Um dos reflexos disso é a própria série Phantasy Star. O primeiro Phantasy Star Online foi bastante popular aqui tanto no finado Dreamcast, quanto em suas versões para Game Cube, Xbox e PC, rendeu quatro expansões e um spin-off. O episódio seguinte, nomeado Phantasy Star Universe, não foi um estouro, mas teve um sucesso moderado, além de episódios paralelos nos portáteis. Por razões desconhecidas, no entanto, a Sega parou de localizar os títulos da franquia por aqui há quase uma década ao ponto que a série foi caindo no esquecimento. Toda uma geração de jogadores não faz ideia da importância que Phantasy Star tem dentro da história do gênero JRPG desde a série original aos MMOs.

PSO foi um dos jogos mais populares do Nintendo Game Cube.
(Imagem retirada da internet)

Também é difícil listar as franquias da empresa que sejam grandes e lembradas no mercado ocidental que não sejam seus clássicos do passado. Por mais que a Sega seja uma publisher grande e publique vários jogos por ano, é inquestionável que a sua influência no mercado ocidental é bem menor que nas décadas de 80 e 90 em que vários de seus jogos estavam entre os mais populares: Shinobi, Street of Rage, Golden Axe, só para citar alguns exemplos.

Essa alienação no mercado asiático se refletiu até mesmo na franquia do velocista azul já que Sonic Forces, o último jogo da série principal, foi desenvolvido exclusivamente no Japão e até mesmo sofreu problemas de comunicação na localização do jogo para os EUA. A série Sonic é popular nas terras nipônicas, mas seu maior mercado é ocidental onde o personagem possui status de ícone. Não ter entre os desenvolvedores e entre a equipe administrativa que cuida da franquia pessoas ocidentais ou que tenham familiaridade com a cultura ocidental é uma decisão bastante duvidosa. Contudo, a boa notícia é que essa Sega fechada e sem mentalidade global ficou no passado e o lançamento desses últimos jogos da série Phantasy Star por aqui são alguns dos primeiros frutos disso.

Em 2018, a Sega sofreu uma grande reestruturação na sede da sua filial japonesa com objetivo de abrir a visão da companhia para o mercado global. Uma das iniciativas foi a criação de escritórios dedicados a cada um dos países em que a empresa possui uma história, incluindo o Brasil! O Victor Issui do canal Poeira Gamer fez um video bem completo e interessante sobre isso:


Outra novidade foi a iniciativa Road to 2020 que também está relacionada a esta estruturação. Ela é uma nova política administrativa que visa revigorar a marca da Sega globalmente na década que se inicia agora em 2020. Entre as questões propostas, destacam-se:
  • Expandir franquias atuais globalmente;
  • Adquirir franquias relevantes dos mercados europeu e americano;
  • Criar novas franquias;
  • Reviver franquias antigas;
  • Utilização mais eficiente de engines;
  • Criar jogos que se tornem hits globais;
  • Expandir a publicação de jogos globalmente.
A Sega também iniciou duas campanhas esse ano. A primeira e mais importante sobre o seu aniversário de 60 anos que contou com uma série de comerciais na TV japonesa e um site dedicado. Outra é a Sonic 2020, uma campanha que prometia anúncios relacionados ao futuro do ouriço azul todos os meses. Infelizmente essa campanha do Sonic e parte dos projetos foram adiados devido à pandemia de coronavírus, inclusive um novo jogo do ouriço que teria sido anunciado em março na SXSW 2020.

(Imagem de divulgação)

Apesar do ano conturbado, já tivemos algumas novidades animadoras relacionadas a isso. A primeira delas é o retorno da franquia Sakura Wars. Totalmente desconhecida no ocidente, essa série que mistura ação, RPG estratégico e elementos de visual novel é uma das séries da Sega mais amadas nas terras nipônicas. Recebeu inúmeras sequências, além de várias adaptações em anime. Durante os anos 90, Sakura Wars era tão popular que existia até um café temático no Japão. O projeto contou com um orçamento alto com direito a série de anime promocional e o Tite Cubo de Bleach como designer de personagens, além de ter recebido localização ocidental. O mais interessante é que o renascimento desta franquia é uma resposta a uma enquete que a Sega fez com os fãs em 2016 na qual Sakura Wars venceu.


A próxima franquia que já está para retornar é Super Monkey Ball, uma série de plataformas 3D arcade inusitada que teve bastante popularidade no Game Cube e em plataformas da Nintendo no começo dos anos 2000 e que foi um dos primeiros títulos fortes da Sega nos seus primeiros dias de desenvolvedora terceirizada, mas que perdeu qualidade com o passar dos anos até ser colocada na geladeira durante quase uma década. De acordo com as informações disponíveis, trará o gameplay dos primeiros dois jogos da franquia que são justamente os mais queridos entre os fãs.

Que outras grandes IPs a Sega irá ressuscitar? Não sabemos, mas eu adoraria um novo Shinobi com gameplay hack'n slash estilo Bayonetta, não custa sonhar.

O fenômeno Phantasy Star Online 2


Lançado originalmente no Japão em 2012, o bem-sucedido MMO de ação, ficção científica e fantasia só recebeu sua versão ocidental esse ano, quase oito anos depois. Os motivos da demora são um mistério, mas finalmente a Sega acordou. A parte mais surpreendente, no entanto, é o anúncio da sequência PSO2: New Genesis com lançamento global e a quantidade de esforço que a Sega está dedicando a esta nova empreitada da franquia.

De acordo com o segundo vídeo divulgado no canal ocidental oficial, PSO2: NGS é um jogo completamente novo que apresentará uma versão atualizada do gameplay do PSO2 original, bem como uma nova engine gráfica, mapas de mundo aberto e cronologicamente se passando 1000 anos no futuro. A parte mais curiosa e animadora, porém, é em relação ao que acontecerá com o antigo PSO2: ele continuará disponível, porém, terá gráficos completamente remasterizados utilizando a nova engine gráfica para estar no mesmo nível do New Genesis. Além disso, todas as cutscenes do enredo também serão retrabalhadas e reanimadas! Os dois jogos continuarão disponíveis simultaneamente e o jogador poderá alternar entre eles com a mesma conta compartilhando alguns itens, bem como o conteúdo premium adquirido!


Acredito que algo desse nível jamais foi implementado por nenhuma outra empresa, é extremamente excitante, ambicioso e megalomaníaco. Eu fico apenas imaginando a quantidade de esforço, funcionários, recursos e dinheiro que a Sega está dedicando não só ao novo projeto, mas também para revitalizar o antigo PSO2. É um jogo que já está há oito anos recebendo atualizações, já conta com 6 expansões e uma quantidade de conteúdo absurda e ainda assim eles irão recriar todos os assets do jogo!

Não é para menos, de acordo com os live streams oficiais no canal japonês do PSO2 no Youtube, a Sega planejava que o PSO2 tivesse 10 anos de conteúdo, ou seja, seria uma aventura que duraria entre os anos de 2012 e 2022. Contudo, o sucesso do jogo superou todas as expectativas da companhia e atualmente corresponde a cerca de 60% de todo o faturamento da filial japonesa! Por conta disso, o planejamento do tempo de vida do jogo foi expandido..

Concluindo

Como fã de longa data de Phantasy Star, estou super empolgado por todas essas novidades e, como gamer que tem uma história com produtos e jogos da Sega, estou feliz que a companhia esteja novamente sendo ousada, ambiciosa e dando atenção para seus fãs ocidentais! A Sega está finalmente de volta e com PSO: NGS, ela já chegou dando voadora na porta. Agora vamos esperar quais serão as outras novidades para está década, não aguento mais esperar o anúncio do novo jogo do Sonic.

Comente abaixo se você também está empolgado e o que você acha da Sega e de Phantasy Star Online, vou adorar saber! 😋


Comentários